Renovando o Natal e o Ano Novo

O final de mais um ano chegou. Inevitável não pensar ou mesmo sentir que parece haver uma repetição do que acontece todos os anos durante esta época: correria para finalizar trabalhos, estudos, projetos e relacionamentos, com olhos já no novo ano que nos convoca a planejar sonhos e estabelecer novas metas. Sem falar na corrida às compras de presentes para a família e os amigos secretos, além de itens tradicionalmente indispensáveis às ceias de Natal e Ano Novo.

Para completar nosso alvoroçado dezembro de modo bem brasileiro, o calor de verão dá um toque especial. Este fator climático faz com que nosso Natal e nossa virada de ano não combinem bem com aquela imagem quase arquetípica de um Papai Noel com pesadas roupas e acompanhado por renas que puxam seu trenó na neve, não é? E a tradicional ceia, então? Costuma ser carregada de oleaginosas e alimentos de difícil digestão em pleno verão. Nossa árvore de Natal, o tradicional pinheiro, também parece estar deslocada no cenário em que faltam tanto a neve quanto o clima frio. Ainda assim, este é o Natal que imaginamos, esperamos e recriamos ano após ano. No entanto, reflitamos por um instante: Por que ainda fazemos isto, já que não combina com o lugar e o momento em que vivemos?

Uma primeira hipótese é a de que continuamos a repetir essa imagem natalina descrita acima talvez porque não paramos para perceber a incoerência entre a imagem ideal e as condições reais nas quais estamos vivendo; Se o percebemos, passamos a outra hipótese, de que nos apegamos a uma imagem idealizada, seja por comodismo, quando se pensa “mas por que mudar agora, se todo mundo sempre faz assim?” ou na tentativa de evitar uma frustração por não ser o Natal dos cartões postais e filmes de cinema. Em resumo, ou porque não percebemos que estamos diante de algo idealizado de modo diferente do que vivemos, ou porque, mesmo o percebendo, não queremos abrir mão desta imagem idealizada. E assim fazemos não só em relação ao Natal, mas a todos os finais de ano e a todos os dias de nossas existências.

Ao invés de aproveitarmos uma época de celebração, de final de um ciclo e início de outro – ao menos no calendário do ano cristão e em todas as atividades organizadas a partir dele -, acabamos testemunhando e talvez até  protagonizando cenas em que se parece correr contra o tempo e contra todos, como se houvesse uma obrigatoriedade em cumprir um protocolo de final de ano no qual os efeitos negativos do estresse praticamente se sobrepõem aos positivos, em que há tanto trabalho para preparar as comemorações que quase não sobra energia para aproveitá-las. Portanto, lembre-se de que este final de ano e cada momento de sua vida são um tempo singular e sem repetição, e não deixe para inovar só no ano que vem. Descubra seu ritmo e seu jeito em meio a essa correria toda. Adote um coqueiro, um frondoso pessegueiro ou mesmo uma árvore de garrafas PET se o pinheiro não se adequar mais aos seus propósitos. Mude ou descarte o que não lhe serve mais e torne sua vida menos complicada e idealizada, mas não menos comovente e especial.

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição dezembro/2010)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s