A vida retratada no cinema

Quem me conhece sabe o quanto me encanto pelas interfaces entre Saúde (e não apenas Psicologia), Arte (e não apenas Música) e Educação. Pois bem, apesar de saber que estou devendo artigos aos blog que abordem tais temáticas, quero convidar os leitores do blog para uma atividade que une essa tríade.

Trata-se do CINE DELPHOS, uma atividade regularmente desenvolvida pelo Instituto Delphos em Porto Alegre, apresentando um filme – acompanhado de pipoca e tudo! – seguido de uma palestra-debate com os expectadores presentes a partir de uma abordagem psicológica.

No dia 05 de novembro de 2011, a partir das 14h, será apresentada uma pérola do cinema e da vida humana, baseada na história do violinista Nathaniel Ayers, um prodígio descoberto na Juilliard School, nos Estados Unidos – “O solista”, filme estrelado por Jamie Foxx e Robert Downey Jr.

Aproveite esta oportunidade de lançar novos olhares sobre as questões de saúde/doença, criatividade e potencial humano, e garanta sua vaga!

Anúncios

No campo ou na cidade?

Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar do tamanho da paz”. Ao cantar esta e outras frases que ecoam em nossas memórias, Elis Regina imortalizou a canção composta por Tavito e Zé Rodrix no início dos anos setenta, intitulada “Casa no Campo”. Quase quarenta anos depois, época em que mais da metade da população mundial vive em ambientes urbanos, esta canção retrata não apenas um anseio, mais um dos possíveis segredos para a promoção de saúde e longevidade humanas.

Viver em cidades pode trazer inúmeros benefícios como, por exemplo, maior empregabilidade, melhores recursos de educação, saúde e saneamento, mas também exige de seus cidadãos maior flexibilidade e capacidade de adaptação ao seu ritmo frenético e ao distanciamento de um modo mais natural de se viver. Sabe-se que o risco de desenvolver transtornos de humor e ansiedade é maior para pessoas que vivem em grandes cidades, as quais também têm mais chances de desenvolver distúrbios de comportamento. Além disso, a incidência de esquizofrenia é quase duas vezes maior em quem vive nas cidades, embora ainda não se conheçam os mecanismos neurológicos que estão por trás dessas associações.

Um recente estudo publicado na revista Nature, conduzido por pesquisadores da Alemanha e do Canadá, indicou que o fato de se viver em ambientes urbanos traz riscos e benefícios à saúde em geral, mas a saúde mental parece ser mais afetada negativamente. Avaliando as atividades cerebrais de voluntários saudáveis de áreas urbanas e rurais da Alemanha por meio de imagens obtidas por ressonância magnética funcional, os pesquisadores observaram que aqueles que viviam em cidades na ocasião do estudo apresentavam maior atividade na amígdala, parte do cérebro que funciona como uma sentinela psicológica, envolvida no controle da emoção e do humor, possivelmente detectando e reagindo de forma mais intensa a eventos estressantes, sendo que os voluntários que cresceram em áreas urbanas tinham maior hiperatividade de outra região cerebral, o córtex cingulado, envolvido na regulação da atividade da amígdala, das emoções negativas e do estresse. Os resultados da pesquisa pela primeira vez ligam o fato de se viver em cidades aos modos de resposta ao estresse, sugerindo que crescer e viver num ambiente urbano pode tornar um indivíduo mais propenso a interpretar diferentes situações como estressantes e a reagir excessivamente e de modo desproporcional em seu cotidiano, por vezes fazendo “tempestade em copo d’água”, como popularmente dizemos.

Mais do que uma tendência, a vida em ambientes urbanos é uma realidade crescente nos países em desenvolvimento, e nossas vidas estão a caminho do que se constatou com esta pesquisa internacional. Resta-nos desenvolver estratégias para melhorar a qualidade de vida em nossa região e resgatar os valores essenciais à vida em qualquer lugar. Como Elis Regina cantaria, em qualquer lugar“onde eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros e nada mais”.

(Artigo publicado no Jornal JS em 15/07/2011)

Pesquisa brasileira sobre forças pessoais

Repasso a você um convite que recebi do grupo de pesquisa CEP-RUA, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenado pela Prof. Dra. Silvia Koller, para participar de uma pesquisa sobre forças pessoais na população brasileira, de modo a auxiliar na produção de conhecimento em Psicologia para a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos e conhecer um pouco mais sobre suas próprias forças pessoais.

Em parceria com o Values in Action Institute, o instrumento VIA-IS (Values in Action Inventory of Strengths – Inventário de Valores e Forças em Ação) está sendo adaptado para a língua portuguesa do Brasil, sob coordenação da Psicóloga Bruna Larissa Seibel, contribuindo para uma visão mais saudável sobre o desenvolvimento humano e valorizando as potencialidades de todos. O instrumento foi originalmente criado por Christopher Peterson e Martin Seligman a partir de pesquisas baseadas em um novo campo da Psicologia, a Psicologia Positiva. Esta linha de conhecimento propõe o desenvolvimento do ser humano a partir de suas potencialidades, diferentemente das mais tradicionais linhas teóricas que trabalham prioritariamente com as patologias dos indivíduos. Por meio desta pesquisa, o grupo do CEP-RUA pretende realizar um levantamento sobre forças pessoais de brasileiros e analisar os resultados obtidos em outros países. Desta forma, novas pesquisas e intervenções na área poderão ser desenvolvidas.

Abaixo seguem mais informações sobre a pesquisa, conforme recebida em e-mail:

Para participar desta pesquisa, basta ter mais de 18 anos. Não há restrições quanto ao gênero ou grau de escolaridade. Trata-se de um questionário auto-explicativo e de linguagem acessível, portanto, à medida que você seguir os passos descritos abaixo encontrará as explicações necessárias para respondê-lo.

Para participar da pesquisa, por favor, acesse o link:

http://www.viacharacter.org/Surveys/SurveyCenter.aspx

À direita, no meio da página, opte pelo idioma Português (Brasil) e, então, preencha os dados solicitados em Registre-se. Note que é preciso optar pelo Português (Brasil) para que seus dados sejam salvos dentro desta pesquisa.

Após completar os dados solicitados em Registre-se, clique na tecla Register e uma nova janela abrirá para que você possa seguir as instruções.  Selecione, então, as opções I want to take the VIA Survey of Character (VIA-IS) e em seguida I don’t have a code. I’m just here to take the survey. (Estas opções são usadas para os participantes da pesquisa).

Para iniciar o preenchimento do VIA-IS, clique em Begin the survey, e imediatamente será aberto o questionário.

Você levará em torno de 30 minutos para concluir todo o preenchimento.  Ao final, você receberá uma assinatura de forças, ou seja, uma descrição de suas cinco principais forças pessoais.

Caso você precise interromper, anote seu password (senha) para retomar sua tarefa mais tarde. Reserve um tempo para finalizar o processo, porque sua participação é MUITO IMPORTANTE para nós!

Desde já, agradecemos sua colaboração e nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento.

Cordialmente,

Bruna Larissa Seibel
Psicóloga
CRP 07/19056
brunaseibel@gmail.com
Fone: (51) 98514279

CEP-RUA
Centro de Estudos Psicológicos sobre Meninos e Meninas de Rua
UFRGS – Ramiro Barcelos,2600, Porto Alegre / Brasil
Fone: (51) 33085150

50 segredos das pessoas que nunca adoecem

Em sua 93ª edição, a revista Viva Saúde publicou uma interessante matéria sobre os segredos das pessoas que nunca ficam doentes. Ao invés do tradicional artigo que escrevo e posto mensalmente no blog, neste mês trago a referida matéria para inspirar cada dia de 2011 e todos os tempos que ainda tivermos para cultivar hábitos saudáveis em nossas vidas sob a perspectiva da integralidade.

 

50 Segredos das pessoas que nunca adoecem – Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de vida.

por Rita Trevisan e Giovana Pessoa

Gene Stone teve a oportunidade de escrever sobre inúmeros tratamentos adotados com sucesso para curar doenças. Porém, continuava ficando de cama. “Também notei que havia populações em que as pessoas nunca ficavam doentes. Então me ocorreu que eu devesse perguntar a essas pessoas o que elas faziam”, disse Stone em entrevista à VivaSaúde.

As respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes, recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu que cinco povos eram os mais saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria.

Outro americano, Dan Buettner, escreveu sobre o tema em um livro que virou best-seller: Blue Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais. Ambos os autores nos ajudaram a traduzir as experiências dessas pessoas. Confira 50 dicas eficazes, comentadas por 21 especialistas brasileiros.

1. Beber água mesmo sem ter sede

A água está para o corpo humano assim como o combustível para o carro. Isso porque, sem manter os nossos níveis hídricos sempre abastecidos, todo o organismo sofre. O líquido ajuda a aumentar a saciedade, evitando compulsões que podem levar ao sobrepeso e ao aparecimento de diversas doenças, ao mesmo tempo que mantém a saúde do sistema renal. “É o baixo consumo de água que resulta em urina concentrada e na maior precipitação de cristais, justamente o que leva à formação das pedras nos rins”, adverte a nutricionista amanda epifânio Pereira, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. sucos naturais, chás e água de coco também podem ser usados.

2. Ir ao dentista regularmente

A boca é como um espelho a refletir a saúde do organismo. Daí a importância de permitir que um profissional a examine a cada seis meses. “Muitas doenças sistêmicas, como diabetes, alterações hormonais e lesões cancerígenas podem ser detectadas numa consulta de rotina”, diz o periodontista Cesário Antonio Duarte, professor da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, o tratamento das cáries deixa o organismo protegido contra inúmeras doenças. “Cáries não tratadas podem se tornar a porta de entrada para micro-organismos, que poderão atingir órgãos nobres como coração, rins e pulmões”, alerta o especialista.

3. Ingerir mais nozes

Bateu aquela fome de fim de tarde? Experimente comer duas unidades de nozes todos os dias. Esse é um dos segredos dos Adventistas da Califórnia. Cerca de 25% deles comem nozes cinco vezes por semana. E diminuíram pela metade o risco de problemas cardíacos.

4. Temperar com alho

“Ele melhora a saúde do coração, diminui os níveis de colesterol, a pressão arterial e potencializa as nossas defesas”, afirma a nutricionista funcional Gabriela Soares Maia.

5. Comprar alimentos regionais

Se puder privilegiar alimentos produzidos na sua região, sua saúde sairá ganhando. Isso porque os produtos da safra, que não recebem uma grande quantidade de conservantes, em geral, são muito mais ricos em nutrientes. Agora, se você puder ir pessoalmente à feira ou à quitanda do bairro, tanto melhor.

6. Comer mais frutas

Aumentar o consumo de produtos de origem vegetal é uma das medidas mais significativas na prevenção de doenças crônicas. A prática foi observada em pelo menos quatro das cinco Blue Zones e é fácil entender o porquê. “Frutas, legumes e verduras possuem uma quantidade de vitaminas antioxidantes, boas gorduras e fibras que supera em muito a dos alimentos industrializados”, diz Isis Tande da Silva, do Ganep Nutrição Humana.

7. Aprender a planejar

A tensão constante é extremamente prejudicial à saúde. “Ela afeta o funcionamento do sistema nervoso, hormonal e imunológico”, alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor da USP. Uma boa maneira de controlar essas reações é não deixar todos os compromissos para a última hora. “Acostume-se a anotar suas pendências em uma lista”, diz o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa.

8. Fracionar a dieta

Comer mais vezes ao dia e optar por porções menores é um jeito inteligente de manter o peso estável. “Os jejuns prolongados desencadeiam uma fome tão intensa que é fácil se exceder nas refeições”, explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. Quando dividimos a nossa alimentação diária em cinco ou seis refeições, também estamos dando uma forcinha ao processo de digestão e ao intestino, evitando sobrecargas.

9. Aproveitar o contato com a natureza

Sinta o cheiro da grama molhada, escute os pássaros, sente-se na sombra de uma árvore… Pratique essa terapia sempre que possível, já que ela é altamente relaxante. “A vegetação transfere umidade ao ar e, portanto, o ambiente fica ionizado negativamente. Isso provoca uma reação química no organismo, gerando uma sensação de muita calma”, explica a arquiteta Pérola Felipetti Brocanelli, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A psicóloga Solange Martins Ferreira, do Hospital Santa Catarina, garante que as atividades ao ar livre também contribuem para recuperação de pacientes: “Quando observam a natureza, eles tiram a atenção da doença”.

10. Levantar peso

A ideia não é apenas ficar forte. “Um dos principais benefícios é o aumento da densidade óssea, auxiliando na prevenção da osteoporose e na reversão da sarcopenia (diminuição no número de sarcômero, a unidade do músculo esquelético). Isso evita a incapacidade funcional, muito comum em idades avançadas”, diz Ricardo Zanuto, fisiologista e professor de Educação Física das Faculdades Integradas de Santo André.

11. Ser um voluntário

Se você ainda não conseguiu um tempo para isso, é bem provável que não tenha encontrado a causa certa. “Quando se apaixonar de verdade por um trabalho social, acabará colocando-o na lista de prioridades”, garante o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. “Dedicar uma noite por semana já é um bom começo”, diz Dan Buettner.

12. Celebrar a vida

Não espere algo de extraordinário acontecer, mas acostume-se a comemorar as pequenas vitórias. Essa é a receita de longevidade dos italianos que vivem na Sardenha, uma das Blue Zones. Eles chamam a atenção pela disposição que têm para festejar tudo e todos.

13. Cultivar a sua fé

“A religião empresta sentido às buscas e conquistas do ser humano, dá uma nova dimensão às vitórias e também às perdas. Além disso, orienta e ajuda as pessoas a tomar decisões difíceis”, explica Jorge Claudio Ribeiro, professor de Teologia da PUC-SP.

14. Trocar o café pelo chá-verde

Ainda que você precise do café para acordar, faça a substituição. Afinal, o cháverde também contém cafeína, que funciona como estimulante. O bom é que ele oferece outros extras. “Diversos estudos mostram que a bebida atua na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson”, afirma a nutricionista Andréia Naves.

15. Pegar leve com as carnes vermelhas

Embora sejam importantes fontes de ferro, são alimentos de difícil digestão e, portanto, retardam o funcionamento intestinal. Então, se você é do tipo que não pode viver sem um bifinho, contente-se com um filé médio por dia.

16. Praticar mais atividade aeróbica

Pode ser uma caminhada ou uma corrida. Esse tipo de exercício tem impacto direto sobre os fatores de risco associados à hipertensão, ao diabetes e à obesidade. “A prática regular melhora a força e a flexibilidade, fortalece ossos e articulações, facilita a perda de peso e diminui o colesterol”, afirma Zanuto.

17. Encontrar a sua tribo

Se você gosta de esportes, certamente irá sentir-se bem com amigos que também gostam. Portanto, faça um esforço para encontrar pessoas com quem possa compartilhar e trocar ideias. “Uma das atitudes mais importantes para garantir a longevidade é cercar-se de pessoas que vão lhe dar suporte e que conectam ou reconectam você com o sentido maior que você dá à sua vida”, diz Dan Buettner.

18. Ser agradável

Facilita a convivência social e cria vínculos com pessoas que poderão apoiá-lo quando necessário. Mas como tornar-se uma pessoa agradável? O autor Dan Buettner é quem responde: “Para isso, é preciso ser interessado e não apenas interessante. Pessoas simpáticas perguntam a você como está em vez de falarem apenas de si mesmas”.

19. Definir seus objetivos

É o que os moradores de Okinawa chamam de ikigai e os habitantes de Nicoya nomeiam de plano de vida. Seja como for, o fato é que eles têm muito bem definidas as suas razões de viver e investem nesses propósitos.

20. Conhecer melhor a ioga

Ela une princípios da meditação, exercícios para o equilíbrio, alongamento e o treinamento de força, com foco na respiração. Tudo isso graças à execução de movimentos sequenciados. “A ioga é ótima para a longevidade, porque fortalece os músculos e ligamentos. Então, os movimentos tornam-se mais fluidos e seguros. A prática tem ainda um efeito importante na redução do estresse”, diz Dan Buettner.

21. Guardar o despertador na gaveta

Dormir bem significa dar ao corpo a chance de se recompor totalmente. “Se você se deita, dorme logo e acorda bem disposto, pode dizer que tem um sono de qualidade”, ensina o neurofisiologista Flavio Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas (SP). Quem não tem, corre um risco muito maior de adoecer. “Aqueles que dormem pouco podem ter um aumento do colesterol e dos triglicérides”, complementa Alóe.

22. Apostar nos integrais

Não basta comer pão integral. Com um pouco de criatividade, é possível incluir a farinha e aveia integrais na preparação de inúmeros pratos. Quer um bom motivo para fazer isso? Pois saiba que os alimentos não processados oferecem um aporte muito maior de nutrientes. “No processo de refinamento, o germe dos grãos são retirados, restando praticamente o amido”, explica a nutricionista Patrícia Morais de Oliveira, do Ganep.

23. Pensar na sua vocação

Fazer o que gosta é uma forma eficiente de afastar o estresse. Além disso, é interessante que o seu tipo de trabalho seja capaz de fazê-lo sentir-se realizado. Por último, saiba que aquele que se empenha em uma carreira para a qual há um sentido profundo, além da manutenção da renda, se sente mais motivado a investir na atualização dos conhecimentos. E estudar, como já vimos, é um santo remédio para o cérebro.

24. Doar seus pratos grandes

A população de Okinawa descobriu um jeito de comer 30% menos: eles utilizam pratos de apenas 23 cm de diâmetro. “Há experiências promissoras sendo realizadas por meio da restrição calórica orientada, que já se mostrou capaz de aumentar o tempo de vida de animais de laboratório em 60%”, afirma Ellen Paiva.

25. Ter atitudes positivas

“As emoções fazem parte daquilo que somos e, portanto, são capazes de provocar reações físicas muito claras. As positivas curam e determinam uma maior e melhor qualidade de vida”, diz Armando Ribeiro das Neves Neto.

26. Emagrecer a despensa

Na hora da compra, elimine os alimentos que possuem qualquer quantidade de gordura trans e evite os que contêm gorduras saturadas. E por um motivo simples: as chamadas gorduras ruins têm relação com o aumento dos níveis de colesterol LDL e triglicérides, fazendo crescer o risco de infarto e de acidente vascular cerebral. “Além dos industrializados, convém tomar cuidado com os alimentos de origem animal, como carnes gordas”, alerta a nutricionista Andréia Naves, da VP Consultoria Nutricional.

27. Saber como usar a soja

Em Okinawa, no Japão, o consumo de produtos da soja é o maior de todo o mundo. O resultado? Dos cerca de 1 milhão de habitantes locais, mais de 900 pessoas já passaram dos 100 anos. “O consumo frequente reduz os riscos de doenças cardiovasculares”, afirma a nutricionista Renata C. C. Gonçalves, do Ganep.

28. Estudar sempre

Manter as atividades intelectuais é uma maneira de garantir anos extras de vida e muito mais saúde, principalmente nas idades avançadas. “Exercitar o cérebro vai deixá-lo mais protegido contra doenças. Na prática, isso significa um risco menor de limitações físicas, mesmo se algo der errado porque, nesse caso, a recuperação será muito melhor”, explica o neurologista André Gustavo Lima, do Hospital Barra D´or.

29. Ter um dia só para você

Os Adventistas do Sétimo Dia que vivem em Loma Linda, na Califórnia, recolhem-se em suas casas aos sábados e aproveitam a ocasião para meditar e orar. E esse parece ser mais um bom hábito que poderíamos nos esforçar em copiar. Afinal, essas pessoas vivem de cinco a dez anos mais que o resto da população americana. “Se for impossível fazer isso, tente conseguir pelo menos 15 a 20 minutos por dia para não fazer nada, ou melhor, para pensar apenas. É como marcar uma reunião consigo mesmo”, diz Christian Barbosa

30. Apagar o cigarro

Quem tem menos 40 anos e fuma até 20 cigarros por dia tem quatro vezes mais chances de infartar. Agora, se o consumo for maior, o risco sobe 20 vezes. A explicação é simples: as substâncias do cigarro levam à contração dos vasos sanguíneos, à aceleração dos batimentos cardíacos, além abaixar o HDL, que age como um protetor das artérias.

31. Ouvir a sua música

A musicoterapeuta Maristela Smith, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), tem uma receita interessante para quem quer tirar proveito da terapia da música. “Faça um CD com as músicas que marcaram positivamente a sua vida para criar a sua identidade sonora musical. Escute-o regularmente, principalmente quando estiver precisando melhorar o astral”, ensina a especialista.

32. Respirar com consciência

Quando estiver precisando relaxar ou desacelerar seu ritmo, faça a respiração completa. “Inspire calmamente o ar pelo nariz, contando três segundos. Então, bloqueie a respiração por um tempo, retendo o ar, e expire pela boca em seis segundos. Assim, você estará atuando diretamente sobre o sistema nervoso autônomo”, ensina o educador físico Estélio Dantas, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

33. Curtir os animais

Mesmo que não possa ter um em casa, descubra aqueles com os quais possui mais afinidades e dê a si mesmo a oportunidade de tocá-los. Para a veterinária Maria de Fátima Martins, professora de Zooterapia da USP, a convivência com os bichos é uma rica fonte de benefícios psicológicos, físicos e sociais. Ela coordena uma experiência de terapia assistida com animais em asilos. “O contato com os animais tem melhorado a vida dessas pessoas. Para alguns idosos, a experiência foi tão positiva que eles chegaram a diminuir o número de medicamentos que tomavam”, conta.

34. Ser muito mais ativo

Comece descendo alguns pontos antes do ônibus. Fazer mais atividades a pé ou de bicicleta, cozinhar, cuidar do jardim, brincar com o seu cachorro, todas essas maneiras de se mexer são válidas. “Um dos segredos da longevidade é encontrar meios de se manter sempre em movimento. De preferência, concentre-se em atividades que também lhe dão prazer, e os benefícios serão maiores”, sugere Dan Buettner.

35. Desacelerar o ritmo

“Se você não cria um tempo para estar bem, terá que ter tempo para se cuidar quando ficar doente”, alerta Dan Buettner. O primeiro estágio do estresse é a fase de alerta. Ele nos permite realizar muitas tarefas em pouco tempo e aí nos sentimos bem. Porém, quando persistimos na tensão, o organismo entra em fadiga.

36. Comer mais iogurtes

“Eles reforçam a nossa imunidade”, explica a nutricionista Gabriela Maia, da Clínica Patricia Davidson Haiat. O que as bactérias vivas contidas nesses potinhos também fazem é melhorar o nosso humor. Afinal, é o intestino que responde pela produção de 95% da serotonina de todo o corpo.

37. Investir no ômega-3

Peixes de água fria (salmão, arenque, sardinha, atum), sementes de linhaça moídas e óleos de peixe, de soja e de canola são ótimas fontes desse nutriente, que tem ação comprovada na redução dos níveis de colesterol e de triglicérides, além de ajudar no controle da pressão e de prevenir o risco de tromboses, que danificam os vasos sanguíneos. O composto ainda é coadjuvante em tratamentos neurológicos e de osteoporose.

38. Controlar o álcool

A curto e médio prazos, o álcool pode engordar, acelerar o processo de envelhecimento e ainda aumentar a pressão arterial. A longo prazo, causa dependência e ainda compromete o funcionamento de todos os sistemas do corpo, com danos mais sérios para o fígado.

39. Brincar com as crianças

É uma excelente estratégia para tirar o foco das preocupações, aproximar a família ou amigos e facilitar o contato intergeracional. E todos esses aspectos estão associados à longevidade. Porém, para funcionar, é preciso que se tenha um mínimo de afinidade com os pequenos.

40. Construir o próprio jardim

Mexer com plantas e flores pode ser um hobby interessante e saudável, desde que você realmente consiga tirar prazer da atividade. “Esse tipo de passatempo é muito válido para prevenir o estresse, tanto quanto fazer trabalhos manuais ou cozinhar. Só não pode virar rotina e obrigação. Se a pessoa tem que cozinhar ou cortar a grama todos os dias, por exemplo, isso passará a representar, na vida dela, mais uma fonte de tensão. E aí os benefícios não virão”, explica Armando Ribeiro Neto.

41. Desfrutar do sol

Sentir na pele o calor dos raios solares não é somente uma receita para adquirir disposição e ânimo. Com cerca de 15 minutos de exposição, oferecemos ao corpo algo que só o sol pode dar: a energia necessária para a síntese de vitamina D. “O composto é importantíssimo na fixação de cálcio no organismo, prevenindo a osteoporose, além de fortalecer o sistema imunológico”, afirma a endocrinologista Bárbara Carvalho Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais.

42. Perdoar mais

“Para envelhecer bem, é preciso olhar para a nossa trajetória de vida aceitando os erros cometidos e desculpando-se por eles. Da mesma forma, é interessante perdoar aos outros, percebendo que não fomos apenas vítimas”, diz a psicóloga Dorli Kamkhagi, colaboradora do Laboratório dos Estudos do Envelhecimento do Hospital das Clínicas (SP). “Perdoar é retirar objetos pesados de uma mochila que carregamos”, compara.

43. Dar uma chance à laranja

Uma única unidade é capaz de prover a necessidade que o nosso corpo tem de vitamina C a cada dia. “Protege contra o câncer, afasta aquela gripe chata e até ajuda a pele a se recuperar mais rapidamente dos estragos promovidos pelo sol”, diz a nutricionista Gabriela Soares Maia.

44. Alongar o corpo todo

Os problemas mais frequentes do aparelho locomotor, e que estão relacionados ao envelhecimento, são a perda da mobilidade e a osteoporose. “O alongamento, enquanto um treinamento da flexibilidade, é um dos principais fatores de manutenção da autonomia funcional em idosos”, garante o educador físico Estélio Dantas.

45. Cochilar após o almoço

Na Península de Nicoya, na Costa Rica, a sesta é um costume institucionalizado. E, em muitas outras partes do mundo, as pausas para um cochilo também são comuns. “Para quem dorme pouco, essa pode ser uma estratégia compensatória”, diz o neurofisiologista Flavio Alóe. É como renovar as energias, antes de recomeçar a jornada.

46. Priorizar as pessoas amadas

Este é outro ponto comum dos que vivem nas chamadas Blue Zones. “Eles contam com famílias fortes e se apoiam mutuamente”, conta Dan Buettner. Relações verdadeiras nos protegem de situações adversas.

47. Esquecer do sal

A redução de seu consumo é imprescindível para prevenir e controlar a hipertensão que, por sua vez, oferecem as condições favoráveis para que inúmeros problemas de saúde progridam rapidamente, tais como a insuficiência renal e as complicações cardíacas. “O sal em excesso faz o corpo reter mais líquido, o que, além de causar inchaço, também aumenta o volume sanguíneo, elevando a pressão nas artérias”, explica a nutricionista Andréia Naves. Para passar bem longe desse drama, vale cortar o sal de cozinha que adicionamos aos pratos durante a preparação, para colocá-lo apenas no momento de consumir, e sempre usando o bom senso. Outra dica é reduzir o consumo de condimentos, pratos prontos, embutidos ou enlatados.

48. Praticar sexo com prazer

A atividade sexual ajuda a aliviar as tensões, já que, durante a relação, ocorre a liberação de endorfinas, substâncias que melhoram o humor. O sexo ainda faz bem para a circulação. Por fim, vale como um excelente exercício e ajuda a reforçar vínculos de afeto.

49. Criar um tempo para a família

A união e o apoio mútuo entre cônjuges, pais e filhos precisam certo investimento de tempo e atenção. Mas como encontrar períodos livres para dedicar a essas pessoas todo o carinho que merecem? “Vale programar um jogo que possam fazer juntos, que permita confraternizar e trocar ideias”, diz Christian Barbosa.

50. Usar as dicas diariamente

Caminhar só aos finais de semana ou encontrar mais tempo para os amigos apenas nos períodos em que a rotina de trabalho sossega um pouco podem ser um bom começo, na tentativa de transformar a sua vida para melhor. É preciso, porém, garantir que mudanças pontuais se transformem em hábitos, para colher resultados significativos no que diz respeito à saúde e à longevidade. “As pessoas que eu conheci enquanto preparava o livro possuem diferentes segredos, mas uma coisa que todas elas têm em comum é a disciplina; elas usam seus segredos diariamente, ou seja, fazem da boa saúde uma prioridade, um hábito mesmo”, finaliza Gene Stone.

Produção: Janaina Rezende / Fotos Fabio Mangabeira e Shutterstock

Riso, um remédio para o corpo, a alma e as relações

O riso faz parte da vida humana desde seu início, tendo um importante papel na comunicação que estabelecemos com outras pessoas, além de trazer importantes contribuições para nossa saúde. Mas afinal, por que rimos e por que costumamos ter uma sensação de bem estar após rir? Por que pode ser difícil segurar o riso quando vemos alguém rindo? E como podemos trazer mais riso e graça ao nosso dia-a-dia?

Desde a Antiguidade, o riso tem importante papel em diversas sociedades. Em templos da Índia e da China, por exemplo, havia sessões dedicadas a rir, pois ambas culturas reconhecem o poder do riso e os benefícios que se obtêm através dele. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que viveu em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, dizia que conseguia prever quem sobreviveria àquela trágica experiência através da  capacidade de rir em circunstâncias tão terríveis. Saber rir não só em momentos alegres, mas também em momentos de dificuldades, faz com que fiquemos mais relaxados, observando e lidando melhor com as circunstâncias que nos envolvem, pois o riso desloca nossa atenção e nos distancia momentaneamente da situação na qual estamos envolvidos. Resultado: Problemas são esquecidos, dores deixam de ser percebidas e o humor muda.

Num velho ditado, a sabedoria popular consagrou o riso como o melhor remédio para todos os males. Enquanto a raiva, a depressão e frustração perturbam o funcionamento fisiológico do organismo, o riso colabora para um ajustamento da saúde e do bem estar. Rir libera serotonina, substância fundamental na química do bom humor, e ainda estimula a produção de endorfina, substância de ação analgésica e relaxante, aliviando dores e melhorando a circulação e a função imunológica do organismo – quando “choramos de rir”, até nossas lágrimas se enchem de anticorpos -, aumentando a tendência ao bom humor e diminuindo as respostas do organismo ao estresse.

E rir é mesmo contagioso? Pesquisadores de Neurociências da University College London apontaram que o riso pode, sim, ser contagioso. A causa estaria na ação dos chamados neurônios-espelho, células fundamentais na imitação e na aquisição da linguagem, que imitam o comportamento da pessoa com quem estamos interagindo. É o caso de bocejos que tendemos a dar ao ver outra pessoa abrindo sua boca. Não se sabe exatamente o que motiva esta reação, mas acredita-se que possa ser um artifício natural e talvez nossa mais poderosa forma de interação e integração social.

Abaixo seguem dicas simples para pessoas que desejam ampliar os benefícios que o riso pode trazer ao seu cotidiano:

• Aproveite para rir nas oportunidades que a vida trouxer a você. Não tenha medo nem receio de rir, sozinho ou acompanhado, inclusive de seus erros ou de suas gafes;

• Experimente sorrir mais às pessoas com quem cruzar no dia-a-dia – e não se surpreenda se o mundo lhe parecer mais simpático e alegre a partir de então;

• Exercite o lado lúdico da vida com jogos, brincadeiras e práticas desportivas. Encontre mais tempo e espaço para a diversão;

• Mantenha contato com animais, ou adote animais de estimação se for possível, pois o convívio com eles proporciona momentos de bem estar e trocas afetivas importantes;

• Conviva mais com crianças e pessoas alegres, menos condicionadas a conterem sorrisos e risadas, para contagiar-se com sua energia.

 

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição agosto/2010)

Benefícios coletivos da prática da meditação

Além dos efeitos que uma prática meditativa oferece ao próprio praticante, evidências científicas demonstram que os efeitos da meditação, da mentalização e da oração na vida cotidiana podem ir além. Inúmeros estudos têm evidenciado que a meditação pode influenciar toda uma comunidade, com índices positivos de qualidade de vida onde existem praticantes, através de um efeito de campo, o chamado efeito Maharishi. Este efeito vem sendo amplamente pesquisado, sendo comprovada a ocorrência de um efeito de campo quando parte da população – equivalente à raiz quadrada de 1% dos habitantes de uma comunidade – medita regularmente.

Um interessante estudo foi desenvolvido em 1983, no auge da guerra entre Líbano e Israel, em que se descobriu que nos dias em que o grupo de meditação atingiu seu número máximo de pessoas participantes, assim como no dia seguinte a eles, os níveis de conflito tiveram redução de cerca de 80%. Outro conhecido experimento foi realizado em Washington, nos Estados Unidos, em 1993. Estudos anteriores mostravam que durante os seis meses em que a temperatura subia na cidade, os níveis de criminalidade também se elevavam. Um grupo de meditadores foi criado no início do semestre observado até atingir dois mil e quinhentos membros – equivalente a 0,17% da população da capital (no final, o grupo chegou a quatro mil praticantes). Na ocasião, registrou-se uma queda expressiva nos índices de criminalidade, levando-se em conta todos os fatores que poderiam interferir nos resultados. Segundo o FBI, houve uma queda de 25% nos crimes violentos naquele verão.

Desde o início de 2009, um experimento pioneiro no Ceará busca avaliar os efeitos da meditação coletiva nos índices de criminalidade e violência da cidade de Fortaleza. A iniciativa consiste em reunir grupos de pessoas que possam meditar tendo como foco a paz para toda a cidade. Para o professor e físico Harbans Lal Arora, um dos organizadores do estudo em conjunto com o médico Cláudio Roberto Azevedo, qualquer técnica pode ser utilizada, até mesmo a simples repetição de uma frase. Embora tendo como objetivo a redução nos índices de violência da cidade, outros objetivos começaram a ser alcançados e incluídos no projeto, como melhoras no bem estar individual, nos relacionamentos familiares e sociais, além do crescente número de pessoas interessadas em participar do projeto.

Diante de tantas evidências, que tal adotar uma prática meditativa em sua vida cotidiana, convidando familiares, colegas e vizinhos para se unirem à prática em prol de comunidades mais pacíficas, saudáveis e felizes?

 

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição julho/2010)

Benefícios da prática da meditação

No último artigo, abordamos a felicidade como indicativo do grau de sucesso e desenvolvimento de uma nação através do FIB. No entanto, em meio a sociedades que vivem cada vez mais apressadas e estressadas, com imensas cargas de informação geradas e transmitidas a cada instante, tem sido cada vez mais fácil nos perdermos de nós mesmos, distraídos com tamanha movimentação exterior. Acesso aparentemente ilimitado ao mundo via programas de rádio, televisão, telefonia e internet tem nos colocado num movimento que pouco espaço deixa para nos aquietarmos. Quando tais estímulos cessam, nossas mentes se mostram inquietas e cheias de pensamentos sobre o que se passou e o que poderá acontecer, tornando-nos presas do passado e do futuro, habilmente desconectados das percepções do momento presente. Este parece ser o retrato da civilização humana no início do século 21, mas não precisa ser necessariamente assim se dosarmos o tempo e o espaço a dispor para esta corrida de produção e consumo cuja velocidade não é determinada por nós mesmos senão em parte, mas cuja possibilidade de mudança está nas atitudes de cada um.

Quando não conseguimos equilibrar apelos e demandas externas com nossas necessidades internas, lentamente vamos perdendo a conexão com nosso eu, apresentando dificuldades para percebermos o que nos motiva em nossa existência e para respeitarmos o que nosso organismo pede ou sinaliza. É nesse descompasso que facilmente surgem desequilíbrios emocionais, doenças físicas, dificuldades nos relacionamentos interpessoais e menor rendimento escolar e laboral. Para minimizarmos ou mesmo extinguirmos estes e outros efeitos do que poderíamos chamar de ausência ou descentramento de nós mesmos, é fundamental restabelecermos a conexão e o reequilíbrio. A meditação, prática milenar encontrada em diversas culturas, tem se mostrado um importante instrumento neste sentido.

Apesar de ainda ser vista como uma prática voltada para transcendência e iluminação, limitada à vida monástica ou esotérica, a meditação tem-se tornado uma prática comum e de grande ajuda para lidarmos com nosso corpo, nossa mente e as situações do cotidiano. É a prática de estar atento e presente em si mesmo, podendo ser praticada em qualquer lugar ou situação, como na tranquilidade do lar ou no meio de um congestionamento de trânsito. Centenas de pesquisas têm demonstrado que sua prática envolve um amplo espectro de benefícios psicofísicos, melhorando as condições gerais de saúde ao harmonizar os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, reduzindo os efeitos do estresse, melhorando e amplificando o funcionamento mental (melhoram as capacidades de atenção, memória, criatividade e lucidez) e emocional (emoções positivas e maior equilíbrio são estimulados, reduzindo-se quadros ansiosos e depressivos), reforçando traços positivos de caráter e comportamento, tornando as pessoas mais equilibradas consigo mesmas e com os demais seres dentro de suas relações com o mundo. Desde 2006, a oferta de meditação nos postos de saúde e hospitais públicos é incentivada pelo Ministério da Saúde brasileiro em conjunto com ações convencionais para manutenção e restabelecimento da saúde.

Apesar de haver inúmeras formas e técnicas meditativas, com uso de cantos, imagens, repetições de palavras ou movimentos, para um iniciante talvez seja interessante começar com uma meditação silenciosa, sentado sobre uma almofada com as costas eretas, as pernas cruzadas com os joelhos apoiados no chão (ou retas, se estiver numa cadeira) e as mãos sobre as pernas. Os olhos podem ficar abertos ou semicerrados, mantendo uma linha de visão descendente e relaxada, e a ponta da língua deve tocar o palato superior, atrás dos dentes frontais. Em seguida, basta prestar atenção à respiração, utilizando-a como foco, voltando a atenção para ela sempre que se desviar em meio a pensamentos ou estímulos externos. Tal prática pode ser realizada por cerca de vinte minutos, uma ou dias vezes ao dia, sozinho ou acompanhado pro um instrutor e outros praticantes que também buscam um mundo melhor, interna e externamente. 

 

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição junho/2010)