50 segredos das pessoas que nunca adoecem

Em sua 93ª edição, a revista Viva Saúde publicou uma interessante matéria sobre os segredos das pessoas que nunca ficam doentes. Ao invés do tradicional artigo que escrevo e posto mensalmente no blog, neste mês trago a referida matéria para inspirar cada dia de 2011 e todos os tempos que ainda tivermos para cultivar hábitos saudáveis em nossas vidas sob a perspectiva da integralidade.

 

50 Segredos das pessoas que nunca adoecem – Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de vida.

por Rita Trevisan e Giovana Pessoa

Gene Stone teve a oportunidade de escrever sobre inúmeros tratamentos adotados com sucesso para curar doenças. Porém, continuava ficando de cama. “Também notei que havia populações em que as pessoas nunca ficavam doentes. Então me ocorreu que eu devesse perguntar a essas pessoas o que elas faziam”, disse Stone em entrevista à VivaSaúde.

As respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes, recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu que cinco povos eram os mais saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria.

Outro americano, Dan Buettner, escreveu sobre o tema em um livro que virou best-seller: Blue Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais. Ambos os autores nos ajudaram a traduzir as experiências dessas pessoas. Confira 50 dicas eficazes, comentadas por 21 especialistas brasileiros.

1. Beber água mesmo sem ter sede

A água está para o corpo humano assim como o combustível para o carro. Isso porque, sem manter os nossos níveis hídricos sempre abastecidos, todo o organismo sofre. O líquido ajuda a aumentar a saciedade, evitando compulsões que podem levar ao sobrepeso e ao aparecimento de diversas doenças, ao mesmo tempo que mantém a saúde do sistema renal. “É o baixo consumo de água que resulta em urina concentrada e na maior precipitação de cristais, justamente o que leva à formação das pedras nos rins”, adverte a nutricionista amanda epifânio Pereira, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. sucos naturais, chás e água de coco também podem ser usados.

2. Ir ao dentista regularmente

A boca é como um espelho a refletir a saúde do organismo. Daí a importância de permitir que um profissional a examine a cada seis meses. “Muitas doenças sistêmicas, como diabetes, alterações hormonais e lesões cancerígenas podem ser detectadas numa consulta de rotina”, diz o periodontista Cesário Antonio Duarte, professor da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, o tratamento das cáries deixa o organismo protegido contra inúmeras doenças. “Cáries não tratadas podem se tornar a porta de entrada para micro-organismos, que poderão atingir órgãos nobres como coração, rins e pulmões”, alerta o especialista.

3. Ingerir mais nozes

Bateu aquela fome de fim de tarde? Experimente comer duas unidades de nozes todos os dias. Esse é um dos segredos dos Adventistas da Califórnia. Cerca de 25% deles comem nozes cinco vezes por semana. E diminuíram pela metade o risco de problemas cardíacos.

4. Temperar com alho

“Ele melhora a saúde do coração, diminui os níveis de colesterol, a pressão arterial e potencializa as nossas defesas”, afirma a nutricionista funcional Gabriela Soares Maia.

5. Comprar alimentos regionais

Se puder privilegiar alimentos produzidos na sua região, sua saúde sairá ganhando. Isso porque os produtos da safra, que não recebem uma grande quantidade de conservantes, em geral, são muito mais ricos em nutrientes. Agora, se você puder ir pessoalmente à feira ou à quitanda do bairro, tanto melhor.

6. Comer mais frutas

Aumentar o consumo de produtos de origem vegetal é uma das medidas mais significativas na prevenção de doenças crônicas. A prática foi observada em pelo menos quatro das cinco Blue Zones e é fácil entender o porquê. “Frutas, legumes e verduras possuem uma quantidade de vitaminas antioxidantes, boas gorduras e fibras que supera em muito a dos alimentos industrializados”, diz Isis Tande da Silva, do Ganep Nutrição Humana.

7. Aprender a planejar

A tensão constante é extremamente prejudicial à saúde. “Ela afeta o funcionamento do sistema nervoso, hormonal e imunológico”, alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor da USP. Uma boa maneira de controlar essas reações é não deixar todos os compromissos para a última hora. “Acostume-se a anotar suas pendências em uma lista”, diz o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa.

8. Fracionar a dieta

Comer mais vezes ao dia e optar por porções menores é um jeito inteligente de manter o peso estável. “Os jejuns prolongados desencadeiam uma fome tão intensa que é fácil se exceder nas refeições”, explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. Quando dividimos a nossa alimentação diária em cinco ou seis refeições, também estamos dando uma forcinha ao processo de digestão e ao intestino, evitando sobrecargas.

9. Aproveitar o contato com a natureza

Sinta o cheiro da grama molhada, escute os pássaros, sente-se na sombra de uma árvore… Pratique essa terapia sempre que possível, já que ela é altamente relaxante. “A vegetação transfere umidade ao ar e, portanto, o ambiente fica ionizado negativamente. Isso provoca uma reação química no organismo, gerando uma sensação de muita calma”, explica a arquiteta Pérola Felipetti Brocanelli, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A psicóloga Solange Martins Ferreira, do Hospital Santa Catarina, garante que as atividades ao ar livre também contribuem para recuperação de pacientes: “Quando observam a natureza, eles tiram a atenção da doença”.

10. Levantar peso

A ideia não é apenas ficar forte. “Um dos principais benefícios é o aumento da densidade óssea, auxiliando na prevenção da osteoporose e na reversão da sarcopenia (diminuição no número de sarcômero, a unidade do músculo esquelético). Isso evita a incapacidade funcional, muito comum em idades avançadas”, diz Ricardo Zanuto, fisiologista e professor de Educação Física das Faculdades Integradas de Santo André.

11. Ser um voluntário

Se você ainda não conseguiu um tempo para isso, é bem provável que não tenha encontrado a causa certa. “Quando se apaixonar de verdade por um trabalho social, acabará colocando-o na lista de prioridades”, garante o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. “Dedicar uma noite por semana já é um bom começo”, diz Dan Buettner.

12. Celebrar a vida

Não espere algo de extraordinário acontecer, mas acostume-se a comemorar as pequenas vitórias. Essa é a receita de longevidade dos italianos que vivem na Sardenha, uma das Blue Zones. Eles chamam a atenção pela disposição que têm para festejar tudo e todos.

13. Cultivar a sua fé

“A religião empresta sentido às buscas e conquistas do ser humano, dá uma nova dimensão às vitórias e também às perdas. Além disso, orienta e ajuda as pessoas a tomar decisões difíceis”, explica Jorge Claudio Ribeiro, professor de Teologia da PUC-SP.

14. Trocar o café pelo chá-verde

Ainda que você precise do café para acordar, faça a substituição. Afinal, o cháverde também contém cafeína, que funciona como estimulante. O bom é que ele oferece outros extras. “Diversos estudos mostram que a bebida atua na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson”, afirma a nutricionista Andréia Naves.

15. Pegar leve com as carnes vermelhas

Embora sejam importantes fontes de ferro, são alimentos de difícil digestão e, portanto, retardam o funcionamento intestinal. Então, se você é do tipo que não pode viver sem um bifinho, contente-se com um filé médio por dia.

16. Praticar mais atividade aeróbica

Pode ser uma caminhada ou uma corrida. Esse tipo de exercício tem impacto direto sobre os fatores de risco associados à hipertensão, ao diabetes e à obesidade. “A prática regular melhora a força e a flexibilidade, fortalece ossos e articulações, facilita a perda de peso e diminui o colesterol”, afirma Zanuto.

17. Encontrar a sua tribo

Se você gosta de esportes, certamente irá sentir-se bem com amigos que também gostam. Portanto, faça um esforço para encontrar pessoas com quem possa compartilhar e trocar ideias. “Uma das atitudes mais importantes para garantir a longevidade é cercar-se de pessoas que vão lhe dar suporte e que conectam ou reconectam você com o sentido maior que você dá à sua vida”, diz Dan Buettner.

18. Ser agradável

Facilita a convivência social e cria vínculos com pessoas que poderão apoiá-lo quando necessário. Mas como tornar-se uma pessoa agradável? O autor Dan Buettner é quem responde: “Para isso, é preciso ser interessado e não apenas interessante. Pessoas simpáticas perguntam a você como está em vez de falarem apenas de si mesmas”.

19. Definir seus objetivos

É o que os moradores de Okinawa chamam de ikigai e os habitantes de Nicoya nomeiam de plano de vida. Seja como for, o fato é que eles têm muito bem definidas as suas razões de viver e investem nesses propósitos.

20. Conhecer melhor a ioga

Ela une princípios da meditação, exercícios para o equilíbrio, alongamento e o treinamento de força, com foco na respiração. Tudo isso graças à execução de movimentos sequenciados. “A ioga é ótima para a longevidade, porque fortalece os músculos e ligamentos. Então, os movimentos tornam-se mais fluidos e seguros. A prática tem ainda um efeito importante na redução do estresse”, diz Dan Buettner.

21. Guardar o despertador na gaveta

Dormir bem significa dar ao corpo a chance de se recompor totalmente. “Se você se deita, dorme logo e acorda bem disposto, pode dizer que tem um sono de qualidade”, ensina o neurofisiologista Flavio Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas (SP). Quem não tem, corre um risco muito maior de adoecer. “Aqueles que dormem pouco podem ter um aumento do colesterol e dos triglicérides”, complementa Alóe.

22. Apostar nos integrais

Não basta comer pão integral. Com um pouco de criatividade, é possível incluir a farinha e aveia integrais na preparação de inúmeros pratos. Quer um bom motivo para fazer isso? Pois saiba que os alimentos não processados oferecem um aporte muito maior de nutrientes. “No processo de refinamento, o germe dos grãos são retirados, restando praticamente o amido”, explica a nutricionista Patrícia Morais de Oliveira, do Ganep.

23. Pensar na sua vocação

Fazer o que gosta é uma forma eficiente de afastar o estresse. Além disso, é interessante que o seu tipo de trabalho seja capaz de fazê-lo sentir-se realizado. Por último, saiba que aquele que se empenha em uma carreira para a qual há um sentido profundo, além da manutenção da renda, se sente mais motivado a investir na atualização dos conhecimentos. E estudar, como já vimos, é um santo remédio para o cérebro.

24. Doar seus pratos grandes

A população de Okinawa descobriu um jeito de comer 30% menos: eles utilizam pratos de apenas 23 cm de diâmetro. “Há experiências promissoras sendo realizadas por meio da restrição calórica orientada, que já se mostrou capaz de aumentar o tempo de vida de animais de laboratório em 60%”, afirma Ellen Paiva.

25. Ter atitudes positivas

“As emoções fazem parte daquilo que somos e, portanto, são capazes de provocar reações físicas muito claras. As positivas curam e determinam uma maior e melhor qualidade de vida”, diz Armando Ribeiro das Neves Neto.

26. Emagrecer a despensa

Na hora da compra, elimine os alimentos que possuem qualquer quantidade de gordura trans e evite os que contêm gorduras saturadas. E por um motivo simples: as chamadas gorduras ruins têm relação com o aumento dos níveis de colesterol LDL e triglicérides, fazendo crescer o risco de infarto e de acidente vascular cerebral. “Além dos industrializados, convém tomar cuidado com os alimentos de origem animal, como carnes gordas”, alerta a nutricionista Andréia Naves, da VP Consultoria Nutricional.

27. Saber como usar a soja

Em Okinawa, no Japão, o consumo de produtos da soja é o maior de todo o mundo. O resultado? Dos cerca de 1 milhão de habitantes locais, mais de 900 pessoas já passaram dos 100 anos. “O consumo frequente reduz os riscos de doenças cardiovasculares”, afirma a nutricionista Renata C. C. Gonçalves, do Ganep.

28. Estudar sempre

Manter as atividades intelectuais é uma maneira de garantir anos extras de vida e muito mais saúde, principalmente nas idades avançadas. “Exercitar o cérebro vai deixá-lo mais protegido contra doenças. Na prática, isso significa um risco menor de limitações físicas, mesmo se algo der errado porque, nesse caso, a recuperação será muito melhor”, explica o neurologista André Gustavo Lima, do Hospital Barra D´or.

29. Ter um dia só para você

Os Adventistas do Sétimo Dia que vivem em Loma Linda, na Califórnia, recolhem-se em suas casas aos sábados e aproveitam a ocasião para meditar e orar. E esse parece ser mais um bom hábito que poderíamos nos esforçar em copiar. Afinal, essas pessoas vivem de cinco a dez anos mais que o resto da população americana. “Se for impossível fazer isso, tente conseguir pelo menos 15 a 20 minutos por dia para não fazer nada, ou melhor, para pensar apenas. É como marcar uma reunião consigo mesmo”, diz Christian Barbosa

30. Apagar o cigarro

Quem tem menos 40 anos e fuma até 20 cigarros por dia tem quatro vezes mais chances de infartar. Agora, se o consumo for maior, o risco sobe 20 vezes. A explicação é simples: as substâncias do cigarro levam à contração dos vasos sanguíneos, à aceleração dos batimentos cardíacos, além abaixar o HDL, que age como um protetor das artérias.

31. Ouvir a sua música

A musicoterapeuta Maristela Smith, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), tem uma receita interessante para quem quer tirar proveito da terapia da música. “Faça um CD com as músicas que marcaram positivamente a sua vida para criar a sua identidade sonora musical. Escute-o regularmente, principalmente quando estiver precisando melhorar o astral”, ensina a especialista.

32. Respirar com consciência

Quando estiver precisando relaxar ou desacelerar seu ritmo, faça a respiração completa. “Inspire calmamente o ar pelo nariz, contando três segundos. Então, bloqueie a respiração por um tempo, retendo o ar, e expire pela boca em seis segundos. Assim, você estará atuando diretamente sobre o sistema nervoso autônomo”, ensina o educador físico Estélio Dantas, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

33. Curtir os animais

Mesmo que não possa ter um em casa, descubra aqueles com os quais possui mais afinidades e dê a si mesmo a oportunidade de tocá-los. Para a veterinária Maria de Fátima Martins, professora de Zooterapia da USP, a convivência com os bichos é uma rica fonte de benefícios psicológicos, físicos e sociais. Ela coordena uma experiência de terapia assistida com animais em asilos. “O contato com os animais tem melhorado a vida dessas pessoas. Para alguns idosos, a experiência foi tão positiva que eles chegaram a diminuir o número de medicamentos que tomavam”, conta.

34. Ser muito mais ativo

Comece descendo alguns pontos antes do ônibus. Fazer mais atividades a pé ou de bicicleta, cozinhar, cuidar do jardim, brincar com o seu cachorro, todas essas maneiras de se mexer são válidas. “Um dos segredos da longevidade é encontrar meios de se manter sempre em movimento. De preferência, concentre-se em atividades que também lhe dão prazer, e os benefícios serão maiores”, sugere Dan Buettner.

35. Desacelerar o ritmo

“Se você não cria um tempo para estar bem, terá que ter tempo para se cuidar quando ficar doente”, alerta Dan Buettner. O primeiro estágio do estresse é a fase de alerta. Ele nos permite realizar muitas tarefas em pouco tempo e aí nos sentimos bem. Porém, quando persistimos na tensão, o organismo entra em fadiga.

36. Comer mais iogurtes

“Eles reforçam a nossa imunidade”, explica a nutricionista Gabriela Maia, da Clínica Patricia Davidson Haiat. O que as bactérias vivas contidas nesses potinhos também fazem é melhorar o nosso humor. Afinal, é o intestino que responde pela produção de 95% da serotonina de todo o corpo.

37. Investir no ômega-3

Peixes de água fria (salmão, arenque, sardinha, atum), sementes de linhaça moídas e óleos de peixe, de soja e de canola são ótimas fontes desse nutriente, que tem ação comprovada na redução dos níveis de colesterol e de triglicérides, além de ajudar no controle da pressão e de prevenir o risco de tromboses, que danificam os vasos sanguíneos. O composto ainda é coadjuvante em tratamentos neurológicos e de osteoporose.

38. Controlar o álcool

A curto e médio prazos, o álcool pode engordar, acelerar o processo de envelhecimento e ainda aumentar a pressão arterial. A longo prazo, causa dependência e ainda compromete o funcionamento de todos os sistemas do corpo, com danos mais sérios para o fígado.

39. Brincar com as crianças

É uma excelente estratégia para tirar o foco das preocupações, aproximar a família ou amigos e facilitar o contato intergeracional. E todos esses aspectos estão associados à longevidade. Porém, para funcionar, é preciso que se tenha um mínimo de afinidade com os pequenos.

40. Construir o próprio jardim

Mexer com plantas e flores pode ser um hobby interessante e saudável, desde que você realmente consiga tirar prazer da atividade. “Esse tipo de passatempo é muito válido para prevenir o estresse, tanto quanto fazer trabalhos manuais ou cozinhar. Só não pode virar rotina e obrigação. Se a pessoa tem que cozinhar ou cortar a grama todos os dias, por exemplo, isso passará a representar, na vida dela, mais uma fonte de tensão. E aí os benefícios não virão”, explica Armando Ribeiro Neto.

41. Desfrutar do sol

Sentir na pele o calor dos raios solares não é somente uma receita para adquirir disposição e ânimo. Com cerca de 15 minutos de exposição, oferecemos ao corpo algo que só o sol pode dar: a energia necessária para a síntese de vitamina D. “O composto é importantíssimo na fixação de cálcio no organismo, prevenindo a osteoporose, além de fortalecer o sistema imunológico”, afirma a endocrinologista Bárbara Carvalho Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais.

42. Perdoar mais

“Para envelhecer bem, é preciso olhar para a nossa trajetória de vida aceitando os erros cometidos e desculpando-se por eles. Da mesma forma, é interessante perdoar aos outros, percebendo que não fomos apenas vítimas”, diz a psicóloga Dorli Kamkhagi, colaboradora do Laboratório dos Estudos do Envelhecimento do Hospital das Clínicas (SP). “Perdoar é retirar objetos pesados de uma mochila que carregamos”, compara.

43. Dar uma chance à laranja

Uma única unidade é capaz de prover a necessidade que o nosso corpo tem de vitamina C a cada dia. “Protege contra o câncer, afasta aquela gripe chata e até ajuda a pele a se recuperar mais rapidamente dos estragos promovidos pelo sol”, diz a nutricionista Gabriela Soares Maia.

44. Alongar o corpo todo

Os problemas mais frequentes do aparelho locomotor, e que estão relacionados ao envelhecimento, são a perda da mobilidade e a osteoporose. “O alongamento, enquanto um treinamento da flexibilidade, é um dos principais fatores de manutenção da autonomia funcional em idosos”, garante o educador físico Estélio Dantas.

45. Cochilar após o almoço

Na Península de Nicoya, na Costa Rica, a sesta é um costume institucionalizado. E, em muitas outras partes do mundo, as pausas para um cochilo também são comuns. “Para quem dorme pouco, essa pode ser uma estratégia compensatória”, diz o neurofisiologista Flavio Alóe. É como renovar as energias, antes de recomeçar a jornada.

46. Priorizar as pessoas amadas

Este é outro ponto comum dos que vivem nas chamadas Blue Zones. “Eles contam com famílias fortes e se apoiam mutuamente”, conta Dan Buettner. Relações verdadeiras nos protegem de situações adversas.

47. Esquecer do sal

A redução de seu consumo é imprescindível para prevenir e controlar a hipertensão que, por sua vez, oferecem as condições favoráveis para que inúmeros problemas de saúde progridam rapidamente, tais como a insuficiência renal e as complicações cardíacas. “O sal em excesso faz o corpo reter mais líquido, o que, além de causar inchaço, também aumenta o volume sanguíneo, elevando a pressão nas artérias”, explica a nutricionista Andréia Naves. Para passar bem longe desse drama, vale cortar o sal de cozinha que adicionamos aos pratos durante a preparação, para colocá-lo apenas no momento de consumir, e sempre usando o bom senso. Outra dica é reduzir o consumo de condimentos, pratos prontos, embutidos ou enlatados.

48. Praticar sexo com prazer

A atividade sexual ajuda a aliviar as tensões, já que, durante a relação, ocorre a liberação de endorfinas, substâncias que melhoram o humor. O sexo ainda faz bem para a circulação. Por fim, vale como um excelente exercício e ajuda a reforçar vínculos de afeto.

49. Criar um tempo para a família

A união e o apoio mútuo entre cônjuges, pais e filhos precisam certo investimento de tempo e atenção. Mas como encontrar períodos livres para dedicar a essas pessoas todo o carinho que merecem? “Vale programar um jogo que possam fazer juntos, que permita confraternizar e trocar ideias”, diz Christian Barbosa.

50. Usar as dicas diariamente

Caminhar só aos finais de semana ou encontrar mais tempo para os amigos apenas nos períodos em que a rotina de trabalho sossega um pouco podem ser um bom começo, na tentativa de transformar a sua vida para melhor. É preciso, porém, garantir que mudanças pontuais se transformem em hábitos, para colher resultados significativos no que diz respeito à saúde e à longevidade. “As pessoas que eu conheci enquanto preparava o livro possuem diferentes segredos, mas uma coisa que todas elas têm em comum é a disciplina; elas usam seus segredos diariamente, ou seja, fazem da boa saúde uma prioridade, um hábito mesmo”, finaliza Gene Stone.

Produção: Janaina Rezende / Fotos Fabio Mangabeira e Shutterstock

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Renovando o Natal e o Ano Novo

O final de mais um ano chegou. Inevitável não pensar ou mesmo sentir que parece haver uma repetição do que acontece todos os anos durante esta época: correria para finalizar trabalhos, estudos, projetos e relacionamentos, com olhos já no novo ano que nos convoca a planejar sonhos e estabelecer novas metas. Sem falar na corrida às compras de presentes para a família e os amigos secretos, além de itens tradicionalmente indispensáveis às ceias de Natal e Ano Novo.

Para completar nosso alvoroçado dezembro de modo bem brasileiro, o calor de verão dá um toque especial. Este fator climático faz com que nosso Natal e nossa virada de ano não combinem bem com aquela imagem quase arquetípica de um Papai Noel com pesadas roupas e acompanhado por renas que puxam seu trenó na neve, não é? E a tradicional ceia, então? Costuma ser carregada de oleaginosas e alimentos de difícil digestão em pleno verão. Nossa árvore de Natal, o tradicional pinheiro, também parece estar deslocada no cenário em que faltam tanto a neve quanto o clima frio. Ainda assim, este é o Natal que imaginamos, esperamos e recriamos ano após ano. No entanto, reflitamos por um instante: Por que ainda fazemos isto, já que não combina com o lugar e o momento em que vivemos?

Uma primeira hipótese é a de que continuamos a repetir essa imagem natalina descrita acima talvez porque não paramos para perceber a incoerência entre a imagem ideal e as condições reais nas quais estamos vivendo; Se o percebemos, passamos a outra hipótese, de que nos apegamos a uma imagem idealizada, seja por comodismo, quando se pensa “mas por que mudar agora, se todo mundo sempre faz assim?” ou na tentativa de evitar uma frustração por não ser o Natal dos cartões postais e filmes de cinema. Em resumo, ou porque não percebemos que estamos diante de algo idealizado de modo diferente do que vivemos, ou porque, mesmo o percebendo, não queremos abrir mão desta imagem idealizada. E assim fazemos não só em relação ao Natal, mas a todos os finais de ano e a todos os dias de nossas existências.

Ao invés de aproveitarmos uma época de celebração, de final de um ciclo e início de outro – ao menos no calendário do ano cristão e em todas as atividades organizadas a partir dele -, acabamos testemunhando e talvez até  protagonizando cenas em que se parece correr contra o tempo e contra todos, como se houvesse uma obrigatoriedade em cumprir um protocolo de final de ano no qual os efeitos negativos do estresse praticamente se sobrepõem aos positivos, em que há tanto trabalho para preparar as comemorações que quase não sobra energia para aproveitá-las. Portanto, lembre-se de que este final de ano e cada momento de sua vida são um tempo singular e sem repetição, e não deixe para inovar só no ano que vem. Descubra seu ritmo e seu jeito em meio a essa correria toda. Adote um coqueiro, um frondoso pessegueiro ou mesmo uma árvore de garrafas PET se o pinheiro não se adequar mais aos seus propósitos. Mude ou descarte o que não lhe serve mais e torne sua vida menos complicada e idealizada, mas não menos comovente e especial.

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição dezembro/2010)

A interdependência e a teia da vida

No artigo passado iniciamos uma reflexão sobre interdependência, princípio que nos reporta ao reconhecimento das relações que mantemos com todos os demais seres com os quais convivemos, quer sejam pessoas, animais ou mesmo nosso planeta. Este princípio, que caracteriza uma lei da Ecologia, considera que todos os seres numa comunidade ecológica estão interligados numa vasta e intrincada rede de relações, a teia da vida. Assim, o comportamento da comunidade como um todo depende do comportamento de cada um de seus membros, e o comportamento de cada membro, por sua vez, depende do comportamento da comunidade como um todo. Basta pensarmos num ser qualquer que se torna presa de outro. Tanto a presa depende do predador para evitar uma superpopulação de sua espécie, quanto o predador depende da presa para obter suprimento de alimentos.

Em nossas vidas não é diferente. Caso seja um empresário, você depende de seus colaboradores. Se for um trabalhador, depende de seu empregador. Como cidadão, depende dos políticos eleitos nas diferentes esferas políticas que, por sua vez, dependem de seu voto para serem eleitos. Nesta dança de relações, quando nos colocamos na posição de seres que dependem de outros, atentamos para uma das implicações da interdependência: O reconhecimento da importância que estes outros têm em nossas vidas, o que, por conseguinte, implica no resgate da humildade, termo que tem origem em humus, do qual também derivam, não por acaso, os termos homem e humanidade. Como humildes humanos, ao reconhecermos o valor dos outros, evocamos nossa gratidão a sua inevitável participação em nossas vidas.

Sob outro ponto de perspectiva, observando nossa importância como alguém de quem outros seres dependem, sobrevém outra importante implicação, que é a responsabilidade que temos em relação aos outros seres. Isso parece mais óbvio nas relações familiares, em que somos responsáveis por filhos, netos ou outros familiares, mas vai além das paredes dos nossos lares. Nossos vizinhos dependem de nós no rateio das despesas condominiais, assim como na conservação e aquisição de patrimônio comum. O comércio local, assim como a fauna e a flora do lugar em que vivemos, dependem dos modos de consumo e descarte que adotamos dentro de nossas casas. Pensar sob esta perspectiva é assumir um papel de cuidador. Cuidado deriva do termo latino coera, do qual também derivam cueiro, manta na qual se envolvem os bebês, e cura. Ambos remetem à responsabilidade de cuidar, tarefa inevitável em nossa participação nesta existência, quer se tenha consciência disso ou não.

Assim, ao reconhecemos nossas relações com o mundo sob a perspectiva da interdependência, somos desafiados a mudar nossos olhares e nossas atitudes diante dessas relações, reconhecendo nossa responsabilidade sobre o que afeta o outro, pois através da interdependência isso também nos afeta. Do mesmo modo, devemos reconhecer e sermos gratos ao outro pelo que ele nos oferece, tornando-nos mais abertos e receptivos às trocas necessárias à vida. Só assim construiremos um mundo e um futuro diferentes para todos e cada um de nós.

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição outubro/2010)

CowParade: Um retrato de quem somos nós

Cumprindo um relevante papel cultural e social nas comunidades onde está inserida, a CowParade, maior evento de arte urbana do mundo, chegou pela primeira vez ao Rio Grande do Sul invadindo as ruas de Porto Alegre em 08 de outubro de 2010, quando a cidade amanheceu repleta de simpáticas mimosas. Além de oferecer um panorama sobre a cultura popular e a vida diária dos porto-alegrenses, retratando como os artistas enxergam o lugar em que vivem, a CowParade é uma exposição de arte altamente democrática em sua essência, permitindo o acesso de qualquer pessoa que queira ver, tocar e interagir com as vaquinhas.

Nas conversas entre amigos e familiares, surgem histórias sobre as corridas pela cidade para conhecer os diferentes exemplares, as fotos clicadas junto das vacas e também as ações de vandalismo que algumas têm sofrido. Este, aliás, é o assunto que mais parece mobilizar a população em acaloradas discussões, com manifestações de indignação pela destruição das obras e também de vergonha por parte daqueles que se sentem ofendidos com o nome da cidade associado a tantas ações vândalas numa exposição de arte internacional. Talvez mais importante do que incomodar-se com as ações de vandalismo, que não são exclusividade da exposição em Porto Alegre, seja refletir sobre as mensagens que podem estar implícitas nestas ações.

Afinal, o que leva uma pessoa a destruir uma obra de arte? As ciências do comportamento têm-se dedicado a investigar as intenções e motivações subjacentes a atos de vandalismo. De maneira simplificada, podemos dizer que pode haver intenções instrumentais, para aquisição de bens materiais, no caso de furtos e roubos; intenções expressivas, como no caso das pichações destinadas a passar uma mensagem territorial ou ideológica; ou ainda intenções hostis, que podem surgir simplesmente como vingança, resistência à mudança ou ao status quo e intolerância à frustração.

Se as vacas são um retrato da cultura local aos olhos de seus artistas criadores, as ações vândalas formam outro retrato não menos verossímil de quem somos nós, expressões de comportamento presentes em nosso cotidiano que apenas dão novas mostras nesta exposição. Somo criaturas e criadores do culto ao consumismo, numa corrida pelo “ter” ao invés do “ser”, do privilégio de espaço e escuta de uns poucos, transformados em celebridades, em detrimento de uma população de anônimos, que só parecem ser percebidos apenas através de atos banais ou destrutivos. Quer queiramos ou não, estas expressões espelham o que costumeiramente não queremos ver, nem reconhecer, que são as destruições que insidiosamente praticamos no dia-a-dia, desrespeitando o lugar em que vivemos e as pessoas com as quais convivemos.

Como acontece nas demais edições ao redor do mundo, as oitenta vacas da CowParade de Porto Alegre permanecerão em exposição a céu aberto até 20 de novembro, sendo leiloadas ao final do evento, e o valor arrecadado será destinado a projetos sociais locais. Torçamos para que sejam projetos educativos que deem voz e espaço aos cidadãos que pedem para serem reconhecidos, estimulando sua expressão saudável e criativa. Do contrário, como diz o ditado popular, as vacas continuarão indo para o brejo…

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição novembro/2010)

Da independência à interdependência

No ultimo dia sete de setembro nós brasileiros comemoramos cento e oitenta e oito anos do processo de emancipação política de Portugal com a conquista da Independência do Brasil.

A conquista da independência em nossas vidas começa cedo na infância, quando as crianças passam a andar sozinhas, deixam as fraldas para trás, escolhem o que desejam comer ou vestir, entre outros exemplos. O próprio nascimento é um marco inicial de independência, pois denota uma separação. Este processo segue por toda a vida e, guardadas as devidas diferenças, pode receber forte estímulo nas diversas sociedades ocidentais. Há países considerados berços do individualismo, característica intimamente relacionada à independência e à liberdade, em que seus cidadãos são incentivados a progredir individualmente sem se preocuparem muito com os demais seres com quem convivem, e outros em que o indivíduo parece não ter tanta importância a não ser como força a compor um coletivo.  

No Brasil a história também se repete. Tão amplo quanto o território brasileiro é o colorido espectro de características que definem seu povo, muitas vezes exaltadas como marco diferenciador entre estados e regiões, como se anunciassem que “somos brasileiros, mas somos diferentes”. No entanto, em tempos em que tudo – de produtos a ideias, de ideologias a comportamentos – passa pelo processo de globalização, as fronteiras entre países, estados, cidades e pessoas passam a se tornar cada vez mais tênues. Já não há mais tantas diferenças entre uns e outros. De seres e nações independentes e autocentrados, cada vez mais caminhamos para a conscientização de nossa interdependência em relação a todos os seres com os quais convivemos. Sim, porque interdependência é um conceito referente à individualidade formada a partir do convívio com um outro (outro país, outra pessoa, outros seres vivos). Ou seja, interdepender é, de fato, conviver, viver com o outro.

Pierre Weil, educador e psicólogo francês que viveu muitos anos no Brasil, dizia que o ser humano se separa do universo ao criar e alimentar uma fantasia de separatividade, esquecendo-se de que natureza, sociedade e homem são inseparáveis. Instigado por esta fantasia desenvolve apego, raiva, ciúme, orgulho e medo, que destroem sua saúde e seu equilíbrio e alimentam atitudes destrutivas contra outros povos e o planeta. Dentro de si, separa sua mente de suas emoções e de seu corpo. Então, começa a destruir seu próprio ser.

Mais do que apenas comemorar nossas independências, quer seja no plano individual ou coletivo, é tempo de mudarmos a forma como vemos e nos relacionamos conosco e com o mundo em que vivemos, percebendo a todo momento – ao invés de apenas nas datas comemorativas – os fios da teia interdependente em que estamos envolvidos e da qual também somos co-criadores. Basta lembrar o exemplo já citado: uma criança se separa fisicamente da mãe ao nascer, mas não sobrevive separada do cuidado materno…

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição setembro/2010)

Riso, um remédio para o corpo, a alma e as relações

O riso faz parte da vida humana desde seu início, tendo um importante papel na comunicação que estabelecemos com outras pessoas, além de trazer importantes contribuições para nossa saúde. Mas afinal, por que rimos e por que costumamos ter uma sensação de bem estar após rir? Por que pode ser difícil segurar o riso quando vemos alguém rindo? E como podemos trazer mais riso e graça ao nosso dia-a-dia?

Desde a Antiguidade, o riso tem importante papel em diversas sociedades. Em templos da Índia e da China, por exemplo, havia sessões dedicadas a rir, pois ambas culturas reconhecem o poder do riso e os benefícios que se obtêm através dele. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que viveu em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, dizia que conseguia prever quem sobreviveria àquela trágica experiência através da  capacidade de rir em circunstâncias tão terríveis. Saber rir não só em momentos alegres, mas também em momentos de dificuldades, faz com que fiquemos mais relaxados, observando e lidando melhor com as circunstâncias que nos envolvem, pois o riso desloca nossa atenção e nos distancia momentaneamente da situação na qual estamos envolvidos. Resultado: Problemas são esquecidos, dores deixam de ser percebidas e o humor muda.

Num velho ditado, a sabedoria popular consagrou o riso como o melhor remédio para todos os males. Enquanto a raiva, a depressão e frustração perturbam o funcionamento fisiológico do organismo, o riso colabora para um ajustamento da saúde e do bem estar. Rir libera serotonina, substância fundamental na química do bom humor, e ainda estimula a produção de endorfina, substância de ação analgésica e relaxante, aliviando dores e melhorando a circulação e a função imunológica do organismo – quando “choramos de rir”, até nossas lágrimas se enchem de anticorpos -, aumentando a tendência ao bom humor e diminuindo as respostas do organismo ao estresse.

E rir é mesmo contagioso? Pesquisadores de Neurociências da University College London apontaram que o riso pode, sim, ser contagioso. A causa estaria na ação dos chamados neurônios-espelho, células fundamentais na imitação e na aquisição da linguagem, que imitam o comportamento da pessoa com quem estamos interagindo. É o caso de bocejos que tendemos a dar ao ver outra pessoa abrindo sua boca. Não se sabe exatamente o que motiva esta reação, mas acredita-se que possa ser um artifício natural e talvez nossa mais poderosa forma de interação e integração social.

Abaixo seguem dicas simples para pessoas que desejam ampliar os benefícios que o riso pode trazer ao seu cotidiano:

• Aproveite para rir nas oportunidades que a vida trouxer a você. Não tenha medo nem receio de rir, sozinho ou acompanhado, inclusive de seus erros ou de suas gafes;

• Experimente sorrir mais às pessoas com quem cruzar no dia-a-dia – e não se surpreenda se o mundo lhe parecer mais simpático e alegre a partir de então;

• Exercite o lado lúdico da vida com jogos, brincadeiras e práticas desportivas. Encontre mais tempo e espaço para a diversão;

• Mantenha contato com animais, ou adote animais de estimação se for possível, pois o convívio com eles proporciona momentos de bem estar e trocas afetivas importantes;

• Conviva mais com crianças e pessoas alegres, menos condicionadas a conterem sorrisos e risadas, para contagiar-se com sua energia.

 

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição agosto/2010)

Benefícios coletivos da prática da meditação

Além dos efeitos que uma prática meditativa oferece ao próprio praticante, evidências científicas demonstram que os efeitos da meditação, da mentalização e da oração na vida cotidiana podem ir além. Inúmeros estudos têm evidenciado que a meditação pode influenciar toda uma comunidade, com índices positivos de qualidade de vida onde existem praticantes, através de um efeito de campo, o chamado efeito Maharishi. Este efeito vem sendo amplamente pesquisado, sendo comprovada a ocorrência de um efeito de campo quando parte da população – equivalente à raiz quadrada de 1% dos habitantes de uma comunidade – medita regularmente.

Um interessante estudo foi desenvolvido em 1983, no auge da guerra entre Líbano e Israel, em que se descobriu que nos dias em que o grupo de meditação atingiu seu número máximo de pessoas participantes, assim como no dia seguinte a eles, os níveis de conflito tiveram redução de cerca de 80%. Outro conhecido experimento foi realizado em Washington, nos Estados Unidos, em 1993. Estudos anteriores mostravam que durante os seis meses em que a temperatura subia na cidade, os níveis de criminalidade também se elevavam. Um grupo de meditadores foi criado no início do semestre observado até atingir dois mil e quinhentos membros – equivalente a 0,17% da população da capital (no final, o grupo chegou a quatro mil praticantes). Na ocasião, registrou-se uma queda expressiva nos índices de criminalidade, levando-se em conta todos os fatores que poderiam interferir nos resultados. Segundo o FBI, houve uma queda de 25% nos crimes violentos naquele verão.

Desde o início de 2009, um experimento pioneiro no Ceará busca avaliar os efeitos da meditação coletiva nos índices de criminalidade e violência da cidade de Fortaleza. A iniciativa consiste em reunir grupos de pessoas que possam meditar tendo como foco a paz para toda a cidade. Para o professor e físico Harbans Lal Arora, um dos organizadores do estudo em conjunto com o médico Cláudio Roberto Azevedo, qualquer técnica pode ser utilizada, até mesmo a simples repetição de uma frase. Embora tendo como objetivo a redução nos índices de violência da cidade, outros objetivos começaram a ser alcançados e incluídos no projeto, como melhoras no bem estar individual, nos relacionamentos familiares e sociais, além do crescente número de pessoas interessadas em participar do projeto.

Diante de tantas evidências, que tal adotar uma prática meditativa em sua vida cotidiana, convidando familiares, colegas e vizinhos para se unirem à prática em prol de comunidades mais pacíficas, saudáveis e felizes?

 

(Artigo publicado no Jornal Clicksíndico, edição julho/2010)